segunda-feira, agosto 25, 2008

Os deslimites da palavra

VI
Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
-Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida
um certo gosto por nadas. . .
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios , não anda em
estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
agramática.

[O livro das ignorãnças - 1993]

8 comentários:

Anônimo disse...

Sol querida, estou encantada com este teu blog em homenagem ao grande poeta. Nossa, quantos poemas lindos!

Parabéns, amiga!
Beijo grande.
Rose :)

Vitor Oliveira Jorge disse...

Conhece meu blog?
http://trans-ferir.blogspot.com
Vitor

Anônimo disse...

Amei seu blog!!!!!
No endereço abaixo tem alguns bordados com frases do poeta.
http://www.palavrabordada.blogspot.com/

Um abraço e boa poesia.
Olinda

Filipe Pinto disse...

Brilhante... de uma forma simples: genial! E lindo... visual, palpável, tocante!

Obrigado por esta delícia

Jardim Bordado disse...

Quantos poemas lindos, adorei. Tenho um blog com bordados e um pouco de poesia. Visite-me.
http://jardimbordado-pintandoebordando.blogspot.com/
Grande abraço. Rô

rai2007 disse...

E pensar que as boas coisas da vida se pega por desvios, foi uma exelente achado.
Gostei desse blog.

Anônimo disse...

Gostaria de saber em que página de que livro está publicado o poema de Manuel De barros Os deslimites das palavras.

solfirmino disse...

Respondendo ao 'anônimo', o poema está em O livro das ignorãnças - 1993