quinta-feira, dezembro 14, 2017

Araquãnis

Quem gosta da obra do Manoel de Barros e mora no Rio, Niterói ou proximidades, não pode perder essa moleza, de repente pode assistir à poesia do poeta no teatro, com a interpretação de Tainá Pimenta e Alan Hauer. A dupla está no grupo de pesquisa Araquãnis, que nasceu na Escola de Teatro Martins Penna, que une teatro, poesia e música.

Para acompanhar o grupo Araquãnis:
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segunda-feira, novembro 13, 2017

segunda-feira, outubro 23, 2017

Saber

Tenho o privilégio de não saber quase tudo. E isso explica o resto.
(Manoel de Barros)

segunda-feira, outubro 16, 2017

Aprendimentos

"O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada."
...
Cena do filme 'O filme da minha vida', de Selton Mello

quinta-feira, outubro 12, 2017

"Andanças no ritmo palavral de Manoel de Barros"

No dia 17/10 (terça) às 10h30 - Auditório G - Debatedora Luciana de Leone - acontecerá o XIV Simpósio do Programa de Pós-Graduação em ciências da Literaturada UFRJ. 

Quem vai se perder no ritmo a poética de Manoel de Barros será o doutorando Fábio Pessanha.


Resumindo pelo próprio Fábio Pessanha:


O que se chama ritmo? um andamento, uma cavalgadura palavral, uma constância no frenesi por se dizer um poema dentro de um universo próprio, em que métricas ou absurdos se comprazem? Numa investigação em que a credibilidade do impossível seja aventada para futuros questionamentos acerca do sentido rítmico, o trabalho aqui proposto sugere uma leitura desse assunto a partir da poética de Manoel de Barros.

sábado, outubro 07, 2017

Mês da Criança



"Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela..."
[Manoel de Barros]

quinta-feira, setembro 21, 2017

Dia da árvore


"Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis. No meu morrer tem uma dor de árvore".
 (Manoel de Barros) In: O livro das Ignorãças

Primavera

"Chegam aromas de amanhã em mim."
Manoel de Barros

Fotografia tirada por mim em Casimiro de Abreu - RJ



*Um brinde à chegada da primavera amanhã.

quarta-feira, setembro 20, 2017

Um pouco sobre a polêmica estátua

Foto: Álvaro Herculano
A estátua de Manoel de Barros sentado no sofá, pesando 400kg e medindo 1,38m de altura, custou R$ 232 mil aos cofres públicos e  foi concebida para ser instalada na Avenida Afonso Pena. Área central de Campo Grande, cidade onde o poeta viveu e morreu.

O futuro da estátua do poeta Manoel de Barros tomou outro desfecho quando a Secretaria de Cultura e Cidadania do estado, “detentora” da estátua, a cedeu ao município para executar a instalação. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur) deu parecer favorável para a instalação na área pretendida pelo governo do estado, mas o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) se manifestou contrário, porque no local existe um sítio arqueológico militar.
O Ministério Público Estadual (MP-MS) entrou então, em 1º de setembro, com uma ação para impedir a instalação da estátua. Alegou que a área pretendida é tombada pelo patrimônio histórico e cultural da cidade e, para qualquer intervenção no canteiro da avenida, seria necessária a aprovação da Sectur e também do IHGMS.
(...)
Leia mais aqui.


Em meio a polêmica e indefinição de um local para instalação da estátua de bronze do poeta Manoel de Barros, o Ministério Público Estadual fez a sugestão de três espaços para fixação da obra: no canteiro central dos altos da Avenida Afonso Pena, no canteiro da Avenida do Poeta, no Parque dos Poderes, ou ainda ao lado do futuro “Aquário do Pantanal”, em Campo Grande.

Leia mais aqui.

terça-feira, setembro 12, 2017

RODA DE LEITURA — “POETA: UM LUGAR DE DESVIOS”




A partir de poemas de Manoel de Barros, pretende-se pensar, indagar, inventar o que é isso que se chama poeta. Será um quem, um alguém? Quem sabe, se o poeta for um lugar? Um destino? Uma viagem ou viragem?

Com essas dúvidas, com muitos precipícios, o convite é para quedas. Quem vem junto?



Dia 19 de setembro (terça), das 16h às 18h

Local: ESPAÇO MULTI

Av. Ernani do Amaral Peixoto, 96, Sala 403. Centro - Niterói/RJ


Inscrições e dúvidas:

paiolcultural@gmail.com  ou pelo telefone/whatsApp (21) 98196-2015

Obs.: Após a inscrição o participante receberá um email contendo o material para a roda.

Evento gratuito

Um pouco sobre o mediador: Fábio Pessanha é poeta, doutorando em Teoria Literária e mestre em Poética, ambos pela UFRJ. Publicou ensaios em periódicos sobre sua pesquisa atual, a respeito do sentido poético das palavras, partindo das obras de Manoel de Barros e Paulo Leminski. É membro do NIEP – Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Poética, também na UFRJ. Coordenou e ministrou cursos no projeto de extensão “Poéticas - Projeto de Capacitação de Professores e Formação de Leitores Literários”, pela UNIRIO, realizado durante o ano de 2016 na Biblioteca Parque de Niterói. É autor do livro A hermenêutica do mar – Um estudo sobre a poética de Virgílio de Lemos e coorganizador do livro Poética e Diálogo: Caminhos de Pensamento, além de participar como ensaísta em outros livros.

“Eu não caminho para o fim, eu caminho para as origens”


Manoel de Barros recebe a Revista Caros Amigos, em 2008, em sua casa.

A um editor que me sugeriu que escrevesse um livro de memórias eu respondi que só tinha memória infantil. O editor me sugeriu que fizesse memória infantil, da juventude e outra da velhice. Estou escrevendo agora minhas memórias infantis da velhice.

...

Poeta é uma pessoa que luta com palavras. Carlos Drummond escreveu: lutar com palavras é uma luta vã. Se eu pudesse, reinventaria outro sinônimo para Poeta. Poeta seria o mesmo que parvo. É um sujeito que, em vez de mexer com borboletas, pedras, caracóis, mexeria com as coisas úteis.


(...)

O Tempo só anda de ida.

A gente nasce, cresce, envelhece e morre.

Pra não morrer

É só amarrar o Tempo no Poste.

Eis a ciência da poesia:

Amarrar o Tempo no Poste!

...


dia que a gente estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste."



Leia mais na Revista Caros Amigos.

quarta-feira, agosto 02, 2017

Sabiá com trevas


      SABIÁ COM TREVAS

       VI 

      Há quem receite a palavra ao ponto de osso, 
      de oco; ao ponto de ninguém e de nuvem. 
      Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na 
      sarjeta. 
      Sou mais a palavra ao ponto de entulho. 
      Amo arrastar algumas no caco de vidro, 

      envergá-las pro chão, corrompê-las -
      Até que padeçam de mim e me sujem de branco. 
      Sonho exercer com elas o ofício de criado: 
      usá-las como quem usa brincos.

                                                                            


      Do livro: "Arranjos para Assobio".

sábado, julho 15, 2017

Palavras



Palavra dentro da qual estou há milhões
de anos é árvore.
Pedra também.
Eu tenho precedências para pedra.
Pássaro também.
Não posso ver nenhuma dessas palavras que
não leve um susto.
Andarilho também.
Não posso ver a palavra andarilho que
eu não tenha vontade de dormir debaixo
de uma árvore.
Que eu não tenha vontade de olhar com
espanto, de novo, aquele homem do saco
a passar como um rei de andrajos nos
arruados de minha aldeia.
E tem mais: as andorinhas,
pelo que sei, consideram os andarilhos
Como árvore.
 

Em: O fazedor de amanhecer

domingo, julho 09, 2017

PÊSSEGO


Proust
Só de ouvir a voz de Albertine entrava 
em orgasmo. Se diz que:
O olhar de voyeur tem condições de phalo 
(possui o que vê).
Mas é pelo tato 
Que a fonte do amor se abre.
Apalpar desabrocha o talo.
O tato é mais que o ver 
E mais que o ouvir
E mais que o cheirar.       
E pelo beijo que o amor se edifica.
É no calor da boca 
Que o alarme da carne grita.
E se abre docemente 
Como um pêssego de Deus.


(Poemas Ruprestes, In  Poesia Completa, São Paulo: Leya, 2010, p. 315)

sexta-feira, julho 07, 2017

(Des)vendo

Mostra Cultural inspirada no poeta Manoel de Barros Mansão das Heras



A Escola Pedra da Gávea convida todos para a Mostra Cultural 2017 com o projeto (Des)vendo o mundo pelo olhar de Manoel de Barros, o saudoso poeta pantaneiro conhecido por suas rimas cheias de profundidade sobre simplicidades do dia-a-dia e a sutileza das coisas “desimportantes”. A Mostra Cultural acontece neste sábado, dia 08 de julho, das 10h às 14h, na Mansão das Heras, no Alto da Boa Vista e, contará com diversas atividades ‘crianceiras’ inspiradas no poeta, como roda de música e caça ao tesouro na mata, além de exposição de fotografias e livros. Os ingressos para o evento custam R$20,00 e podem ser adquiridos nas secretarias de qualquer uma das unidades da Escola (Barrinha, Jardim Oceânico e Ipanema).
Classificação – Livre
Mansão das Heras
Estr. do Açude, 695 – Alto da Boa Vista
Tel.: 99851-2756Informações pelo telefone: 2494-0440
Sábado, 8 de Julho, das 10h às 14h
R$20,00

quinta-feira, julho 06, 2017

Poesia não serve para demonstrar nada...


"Parece que o poeta serve para desacomodar as palavras. Não deixar que as palavras se viciem no mesmo contexto. Usar as palavras para ampliar o mundo há de ser outro milagre da poesia. Celebrar moscas é um exemplo de como podemos ampliar o mundo. Uma das regras importantes da poesia é não ser demonstrativa. Poesia não presta para demonstrar nada. Ela só presta para dar néctar."   


MANOEL DE BARROS em entrevista "metapoética" a Douglas Diegues (DIEGUES, Douglas. 
 Silêncios, nadas e borboletas
Uma entrevista de Manoel de Barros a Douglas Diegues. Edição do autor, limitadíssima, s.d.

sábado, julho 01, 2017

Aprendimentos


O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura 
é o caminho que o homem percorre para se conhecer. 
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim 
falou que só sabia que não sabia de nada.
Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas 
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas 
das árvores servem para nos ensinar a cair sem 
alardes.
Disse que fosse ele caracol vegetado 
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente 
aprender o idioma que as rãs falam com as águas 
e ia conversar com as rãs.
E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos 
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de 
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros 
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara 
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver, 
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar
.
Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens. 
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno 
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite! 
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles — 
esse pessoal
.
Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova. 
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que 
achava para renovar sua poesia
. Os mestres pregavam 
que o fascínio poético vem das raízes da fala.
Sócrates falava que as expressões mais eróticas 
são donzelas
. E que a Beleza se explica melhor 
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei 
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.

segunda-feira, junho 26, 2017

Eu não vou perturbar a paz





De tarde um homem tem esperanças.

Está sozinho, possui um banco.
De tarde um homem sorri.
Se eu me sentasse a seu lado
Saberia de seus mistérios
Ouviria até sua respiração leve.
Se eu me sentasse a seu lado
Descobriria o sinistro
Ou doce alento de vida
Que move suas pernas e braços.

Mas, ah! eu não vou perturbar a paz que ele depôs na praça, quieto.


(Fáce Imóvel, 1942)

segunda-feira, junho 12, 2017

"Dom"

Deus disse: Vou ajeitar a você um dom: Vou pertencer você para uma árvore
E pertenceu-me. Escuto o perfume dos rios. Sei que a voz das águas tem sotaque azul. Sei botar cílio nos silêncios. Para encontrar o azul eu uso pássaros. Só não desejo cair em sensatez. Não quero a boa razão das coisas. Quero o feitiço das palavras. 

(Manoel de Barros, in O Encantador de Palavras)

segunda-feira, abril 17, 2017

Importância...

Meu ex-girassol
"Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós."



Manoel de Barros

quarta-feira, abril 12, 2017

Sobre a fragmentação da realidade

Imageem: Picasso
A minha poesia é cada vez mais fragmentada porque as palavras me acham assim: cada vez mais fragmentado. Penso que os meus conflitos cresceram tanto dentro de mim a ponto que me fizeram pedaços. Sou hoje pedaços de mim.

....


(...)”Li em Chestov que a partir de Dostoievsky os escritores começam a luta por destruir a realidade. Agora a nossa realidade se desmorona. Despencam-se deuses, valores, paredes... Estamos entre ruínas. A nós, poetas destes tempos, cabe falar dos morcegos que voam por dentro dessas ruínas. Dos restos humanos fazendo discursos sozinhos nas ruas. A nós cabe falar do lixo sobrado e dos rios podres que correm por dentro de nós e das casas. Aos poetas do futuro caberá a reconstrução - se houver reconstrução. Porém a nós, a nós, sem dúvida - resta falar dos fragmentos, do homem fragmentado que, perdendo suas crenças, perdeu sua unidade interior. É dever dos poetas de hoje falar de tudo que sobrou das ruínas - e está cego. Cego e torto e nutrido de cinzas(...)

BARROS,Manoel. “Sobreviver pela palavra”. In:Gramática expositiva do chão, p.308-309.

Esse vício de amar as coisas jogadas fora – eis  a minha competência. É por isso que eu sempre rogo pra Nossa Senhora da Minha Escuridão, que me perdoe por gostar dos desheróis. Amém. (p.331)

segunda-feira, abril 03, 2017

O poeta e a palavra

Quando Carlos Drummond de Andrade era considerado o maior poeta brasileiro, outros diziam que João Cabral de Melo Neto era, se não o maior, pelo menos o mais importante, o próprio Drummond disse que o maior poeta brasileiro era Manoel de Barros. 
O próprio Manoel de Barros disse que o nosso melhor poeta era João Cabral. E diz da Geração de 45, a que ele e João Cabral pertencem cronologicamente: 

“Achava e acho ainda que não é hora de reconstrução. Sou mais a palavra arrombada a ponto de escombro. Sou mais a palavra a ponto de entulho ou traste.” Tem consciência crítica, conhece o que é um poema, objeto fechado em si, isto é, a poesia de João Cabral, e sabe que a sua poesia é feita de restos, restolhos. Ele como que se compraz em brincar com as palavras, virá-las e revirá-las nos dedos: “Não tenho outro gosto maior do que descobrir para algumas palavras relações dessuetas e até anômalas.”


Cita Guimarães Rosa: “A poesia nasce de modificações das realidades linguísticas.” Ou Leo Spitzer: “Todo desvio nas normas da linguagem produz poesia”. Mas vai muito mais além: “Instala-se um agramaticalidade quase insana, que empoema o sentido das palavras.” 


A chave está mais no termo “insana” do que apenas em “agramaticalidade”. E vai repetindo, não só por repetir, mas, nessas variações de uma mesma nota, para enfatizar: 


O sentido normal das palavras não faz bem ao poema./ Há que se dar um gosto incasto aos termos./ Haver com eles um relacionamento voluptuoso./ Talvez corrompê-los até a quimera./ Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los. / Não existir rei nem regência./ Uma certa luxúria com as palavras convém.”

Assim se justifica, se fosse preciso se justificar: “O que não sei fazer desconto nas palavras. / (...) Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos. / Outras de palavras. / Poetas e tontos se compõem com palavras.” Sabe que o poema é uma forma, um objeto, mas em estado de alucinação: “Designa também a armação de objetos lúdicos com emprego de palavras imagens cores sons etc. geralmente feitos por crianças pessoas esquisitas loucos e bêbados.” São objetos lúdicos, mas com os sentidos fora do normal, desregrados.

Sempre valoriza a luxúria da palavra, a mais abjeta: “Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na sarjeta. / Sou mais a palavra ao ponto de entulho.” É a busca da pureza, da infância do verbo: “Nenhuma voz adquire pureza se não comer na espurcícia. Quem come, pois, do podre, se alimpa. Isso diz o Livro.”

Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina. / No osso da fala dos loucos tem lírios.”

quinta-feira, março 09, 2017

As antíteses consagram

Charles Baudelaire
Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.
Sou formado em desencontros.
A sensatez me absurda.
Os delírios verbais me terapeutam.
Posso dar alegria ao esgoto (palavra aceita tudo).
(E sei de Baudelaire que passou muitos meses tenso
porque não encontrava um título para os seus poemas.
Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que
apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.)

As antíteses congraçam.


terça-feira, fevereiro 21, 2017

A desbiografia oficial de Manuel de Barros



Só Dez Por Cento é Mentira é um original mergulho cinematográfico na biografia inventada e nos versos fantásticos do poeta sulmatogrossense Manoel de Barros.
Aproveitem antes que o link seja retirado do youtube.


sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Sobre administrar o à-toa...

Nasci para administrar o à-toa,
o em vão,
o inútil.

Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.

Retiro semelhanças de pessoas com árvore


de pessoas com rãs


de pessoas com pedras


etc etc.

Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.

(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também
sabedoria mineral.

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Livro sobre Nada


O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.
(Represente que o homem é um poço escuro.
Aqui de cima não se vê nada.
Mas quando se chega ao fundo do poço já se pode ver
o nada.)
Perder o nada é empobrecimento.
(Livro Sobre Nada, p. 63)