domingo, março 19, 2006

O palhaço




Gostava só de lixeiros crianças e árvores
Arrastava na rua por uma corda uma estrela suja.
Vinha pingando oceano!
Todo estragado de azul.

in: Matéria de Poesia



Foto: Eu, de palhaça Borboleta

domingo, março 05, 2006

Poesia, s.f



Foto: Rui Bonito


Raiz de água larga no rosto da noite

Produto de uma pessoa inclinada a antro

Remanso que um riacho faz sob o caule da

manhã

Espécie de réstia espantada que sai pelas

frinchas de um homem

Designa também a armação de objetos lúdicos

com emprego de palavras imagens cores sons

etc. geralmente feitos por crianças pessoas

esquisitas loucos e bêbados.



Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e musgo - elas
podem um dia milagrar de flores.

(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)

Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro - elas podem um dia milagrar violetas.

(Eu sou beato em violetas.)

Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!

(O abandono me protege.)