Poemas concebidos sem pecado
Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no dia 19 de dezembro de 1916. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado, fazendeiro e poeta. O nome do blog é em homenagem ao primeiro livro publicado pelo poeta, em 1937.
sexta-feira, maio 17, 2013
quarta-feira, dezembro 19, 2012
96 anos do poeta
Ao completar 96 anos, Manoel de Barros prefere um aniversário sem convidados
Leia a reportagem neste link.
terça-feira, dezembro 18, 2012
Palavras
Palavra
dentro da qual estou a milhões
de
anos é árvore.
Pedra
também.
Eu
tenho precedências para pedra.
Pássaro
também.
Não
posso ver nenhuma dessas palavras que
não
leve um susto.
Andarilho
também.
Não
posso ver a palavra andarilho que
eu
não tenha vontade de dormir debaixo
de
uma árvore.
Que
eu não tenha vontade de olhar com
espanto,
de novo, aquele homem do saco
a
passar como um rei de andrajos nos
arruados
de minha aldeia.
E
tem mais: as andorinhas,
pelo
que sei, consideram os andarilhos
Como
árvore.
Em:
O fazedor de amanhecer
terça-feira, outubro 09, 2012
sábado, setembro 22, 2012
Parrrede!
Eu fazia pecado solitário.
Um padre me pegou fazendo.
- Corrumbá, no parrrede!
Meu castigo era ficar em pé defronte a uma parede e
decorar 50 linhas de um livro.
O padre me deu pra decorar o Sermão da Sexagésima
de Vieira.
- Decorrrar 50 linhas, o padre repetiu.
O que eu lera por antes naquele colégio eram romances
de aventura, mal traduzidos e que me davam tédio.
Ao ler e decorar 50 linhas da Sexagésima fiquei
embevecido.
E li o Sermão inteiro.
Meu Deus, agora eu precisava fazer mais pecado solitário!
E fiz de montão.
- Corumbá, no parrrede!
Era a glória.
Eu ia fascinado pra parede.
Desta vez o padre me deu o Sermão do Mandato.
Decorei e li o livro alcandorado.
Aprendi a gostar do equilíbrio sonoro das frases.
Gostar quase até do cheiro das letras.
Fiquei fraco de tanto cometer pecado solitário.
Ficar no parrrede era uma glória.
Tomei um vidro de fortificante e fiquei bom.
A esse tempo também eu aprendi a escutar o silêncio
das paredes.
Manoel de Barros
(No livro Memórias Inventadas, As infância de Manoel de Barros)
sábado, setembro 15, 2012
sexta-feira, julho 20, 2012
Gorjeios
Gorjeio é mais bonito do que canto porque nele se
inclui a sedução.
É quando a pássara está namorada que ela gorjeia.
Ela se enfeita e bota novos meneios na voz.
Seria como perfumar-se a moça para ver o namorado.
É por isso que as árvores ficam loucas se estão gorjeadas.
É por isso que as árvores deliram.
Sob o efeito da sedução da pássara as árvores deliram.
E se orgulham de terem sido escolhidas para o concerto.
As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.
inclui a sedução.
É quando a pássara está namorada que ela gorjeia.
Ela se enfeita e bota novos meneios na voz.
Seria como perfumar-se a moça para ver o namorado.
É por isso que as árvores ficam loucas se estão gorjeadas.
É por isso que as árvores deliram.
Sob o efeito da sedução da pássara as árvores deliram.
E se orgulham de terem sido escolhidas para o concerto.
As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.
[Ensaios Fotográficos]
* Fotografia de Jil Norberto
Espetáculo de Dança homenageia Manoel de Barros no Festival de Inverno de Bonito
Como já é tradição no Festival de Inverno de Bonito, a dança tem
destaque nos palcos da cidade. Neste ano contará com a apresentação de
companhias do Estado e de São Paulo. Um dos espetáculos homenageia o
poeta Manoel de Barros. O Festival que acontece de 25 a 29 de julho é
uma realização do governo do Estado de Mato Grosso do Sul por meio da
Fundação de Cultura.
Leia a notícia aqui.
Assinar:
Postagens (Atom)






