sexta-feira, setembro 22, 2017

Primavera

Foto tirada por mim em Gramado

Despertar

É preciso transgredir a distração da flor em gestação,
tocá-la infinitamente,
sorver-lhe o perfume,
soprar a gota de orvalho pousada em cada cor,
inventar um arco-íris
pelas arestas do vento,
abrir caminhos para a primavera.

A sombra se faz luz,
o inverno se desfolha.
Como se existisse um tempo das estações,
a primavera dá sinais,
despida das névoas,
como se fosse a primeira vez.

Solange Firmino

quinta-feira, setembro 21, 2017

Dia da árvore


"Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis. No meu morrer tem uma dor de árvore".
 (Manoel de Barros) In: O livro das Ignorãças

Primavera

"Chegam aromas de amanhã em mim."
Manoel de Barros

Fotografia tirada por mim em Casimiro de Abreu - RJ



*Um brinde à chegada da primavera amanhã.

quarta-feira, setembro 20, 2017

Um pouco sobre a polêmica estátua

Foto: Álvaro Herculano
A estátua de Manoel de Barros sentado no sofá, pesando 400kg e medindo 1,38m de altura, custou R$ 232 mil aos cofres públicos e  foi concebida para ser instalada na Avenida Afonso Pena. Área central de Campo Grande, cidade onde o poeta viveu e morreu.

O futuro da estátua do poeta Manoel de Barros tomou outro desfecho quando a Secretaria de Cultura e Cidadania do estado, “detentora” da estátua, a cedeu ao município para executar a instalação. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur) deu parecer favorável para a instalação na área pretendida pelo governo do estado, mas o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) se manifestou contrário, porque no local existe um sítio arqueológico militar.
O Ministério Público Estadual (MP-MS) entrou então, em 1º de setembro, com uma ação para impedir a instalação da estátua. Alegou que a área pretendida é tombada pelo patrimônio histórico e cultural da cidade e, para qualquer intervenção no canteiro da avenida, seria necessária a aprovação da Sectur e também do IHGMS.
(...)
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Em meio a polêmica e indefinição de um local para instalação da estátua de bronze do poeta Manoel de Barros, o Ministério Público Estadual fez a sugestão de três espaços para fixação da obra: no canteiro central dos altos da Avenida Afonso Pena, no canteiro da Avenida do Poeta, no Parque dos Poderes, ou ainda ao lado do futuro “Aquário do Pantanal”, em Campo Grande.

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terça-feira, setembro 12, 2017

RODA DE LEITURA — “POETA: UM LUGAR DE DESVIOS”



A partir de poemas de Manoel de Barros, pretende-se pensar, indagar, inventar o que é isso que se chama poeta. Será um quem, um alguém? Quem sabe, se o poeta for um lugar? Um destino? Uma viagem ou viragem?

Com essas dúvidas, com muitos precipícios, o convite é para quedas. Quem vem junto?



Dia 19 de setembro (terça), das 16h às 18h

Local: ESPAÇO MULTI

Av. Ernani do Amaral Peixoto, 96, Sala 403. Centro - Niterói/RJ


Inscrições e dúvidas:

paiolcultural@gmail.com  ou pelo telefone/whatsApp (21) 98196-2015

Obs.: Após a inscrição o participante receberá um email contendo o material para a roda.

Evento gratuito

Um pouco sobre o mediador: Fábio Pessanha é poeta, doutorando em Teoria Literária e mestre em Poética, ambos pela UFRJ. Publicou ensaios em periódicos sobre sua pesquisa atual, a respeito do sentido poético das palavras, partindo das obras de Manoel de Barros e Paulo Leminski. É membro do NIEP – Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Poética, também na UFRJ. Coordenou e ministrou cursos no projeto de extensão “Poéticas - Projeto de Capacitação de Professores e Formação de Leitores Literários”, pela UNIRIO, realizado durante o ano de 2016 na Biblioteca Parque de Niterói. É autor do livro A hermenêutica do mar – Um estudo sobre a poética de Virgílio de Lemos e coorganizador do livro Poética e Diálogo: Caminhos de Pensamento, além de participar como ensaísta em outros livros.

“Eu não caminho para o fim, eu caminho para as origens”


Manoel de Barros recebe a Revista Caros Amigos, em 2008, em sua casa.

A um editor que me sugeriu que escrevesse um livro de memórias eu respondi que só tinha memória infantil. O editor me sugeriu que fizesse memória infantil, da juventude e outra da velhice. Estou escrevendo agora minhas memórias infantis da velhice.

...

Poeta é uma pessoa que luta com palavras. Carlos Drummond escreveu: lutar com palavras é uma luta vã. Se eu pudesse, reinventaria outro sinônimo para Poeta. Poeta seria o mesmo que parvo. É um sujeito que, em vez de mexer com borboletas, pedras, caracóis, mexeria com as coisas úteis.


(...)

O Tempo só anda de ida.

A gente nasce, cresce, envelhece e morre.

Pra não morrer

É só amarrar o Tempo no Poste.

Eis a ciência da poesia:

Amarrar o Tempo no Poste!

...


dia que a gente estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste."



Leia mais na Revista Caros Amigos.