Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu em 13 de novembro de 2014. Foi advogado, fazendeiro e poeta. O nome do blog é em homenagem ao primeiro livro publicado pelo poeta, em 1937.
quinta-feira, abril 26, 2018
O casaco
Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia.
Isto ser:
Ele queria jogar o casado rasgado e sujo no
lixo.
Ele queria amanhecer.
Manoel de Barros
quarta-feira, abril 11, 2018
Araquãnis - a poesia de Manoel de Barros no teatro
O Araquãnis, grupo de pesquisa interartes, está com uma montagem sobre a obra do Manoel de Barros. As apresentações serão nos dias 5 e 6 de maio.
Sábado às 19h e domingo às 18h.
Local: Rinha das Artes - Macaé - RJ.
Sábado às 19h e domingo às 18h.
Local: Rinha das Artes - Macaé - RJ.
quarta-feira, março 28, 2018
"Sombra Boa" - CD Crianceiras
Sombra Boa não tinha e-mail.
Escreveu um bilhete:
Maria me espera debaixo do ingazeiro
quando a lua tiver arta.
Amarrou o bilhete no pescoço do cachorro
e atiçou:
Vai, Ramela, passa!
Ramela alcançou a cozinha num átimo.
Maria leu e sorriu.
Quando a lua ficou arta Maria estava.
E o amor se fez
Sob um luar sem defeito de abril.
- em Poemas Rupestres.
*A canção integra o CD Crianceiras, composto só de poemas de Manoel de Barros transformados em música.
O trabalho é de autoria do cantor, compositor e instrumentista Márcio De Camillo. "Sombra Boa" é interpretado por ele e a filha.
quarta-feira, março 14, 2018
Dia da Poesia
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| Flor do meu jardim em 14.03.18 |
SINGULAR, TÃO SINGULAR
Ó passar-se invisível pela alma da alameda de casas
espaçosas
Imaginando a feição ideal dentro de cada uma!
Ir recebendo um pouco de poesia no peito
Sem lembranças do mundo, sem começo…
Chegar ao fim sem saber que passou
Tranquilo como as casas,
Cheio de aroma como os jardins.
Desaparecer.
Não contar nada a ninguém.
Não tentar um poema.
Nem olhar o nome na placa.
Esquecer.
Invisível, deixar apenas que a emoção perdure
Fique na nossa vida fresca e incompreensível
Um mistério suave alisando para sempre o coração.
Singular, tão singular…
*No livro "Face imóvel" (1942), Poesia completa: Manoel de Barros. São Paulo: Editora Leya, 2010.
domingo, março 11, 2018
A língua das coisas (Curta-metragem)
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| cena do curta |
Curta-metragem selecionado pelo programa Curta Criança do MINC e TV Brasil, livremente inspirado na obra de Manoel de Barros, exibido e premiado em festivais de cinema no Brasil e no exterior.
Sinopse: em um sítio vivem o menino Lucas e seu avô. O avô só sabe a língua do rio, dos bichos e das plantas. Lucas está cansado da rotina de pescar e das histórias inventadas pelo avô, que diz pescá-las no rio. Um dia, a mãe de Lucas vem buscá-lo para morar na cidade. Na escola, a nova língua não entra na sua cabeça. Ele começa a escrever uma língua inventada, só dele. A mãe recebe a notícia da morte do avô. De volta ao sítio, Lucas corre na ilusão daquela notícia ser uma história inventada. Mas não é. Desolado na margem do rio, dezenas de palavras são trazidas pela correnteza.
sábado, março 03, 2018
Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho
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| Foto tirada por mim em 02-01-2018 na Glória-RJ |
1
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.
3
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo aguenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.
7
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;
Se aparecem besouros nas folhagens;
Se as lagartixas se fixam nos espelhos;
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;
E o escuro se umedeça em nosso corpo.
9
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a
lesma deixa risquinhos líquidos...
A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as
palavras
Neste coito com letras!
Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma
escorre. . .
Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.
11
Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse.
12
Seu França não presta pra nada -
Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.
13
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| Airão Velho |
Lugar em que há decadência.
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por
morcegos.
Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas
a dentro.
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a
dentro.
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.
Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.
Onde os homens terão a força da indigência.
E as ruínas darão frutos.
in: "O Guardador de Águas", Ed. Civilização Brasileira.
Retrato do artista quando coisa
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| * Foto tirada por mim na Igreja de Nossa Senhora da Guia, em Lucena, PB. O início da construção se deu no final do século XVI. |
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
[Manoel de Barros]
terça-feira, fevereiro 13, 2018
Meu Quintal é Maior do Que o Mundo
Homenagem ao Poeta Manoel de Barros
Samba Enredo 2017 - Campeã Série A
G.R.E.S. Império Serrano (Rio de Janeiro)
Assista ao desfile completo da Escola.
Samba Enredo 2017 - Campeã Série A
G.R.E.S. Império Serrano (Rio de Janeiro)
Abre a janela, vem ver ôô
Poesia brotar no quintal
O carnaval florescer
Menino Bernardo em meu ser
Reinvento o meu Pantanal
O som do apito a tocar anuncia a cor
Um canto verde do índio enfeitiçou
Guardando o segredo das águas
Regando o mar de Xarayés
O eldorado reina aos meus pés
O som que salta do brejo
Empresto a viola
A paz do meu lugar "aflora"
É feito um Império em procissão
Enfeito meu coração, morada do meu viver
Tem casa que anda por esse chão
Bandarra é meu coração que voa no entardecer
Menino do mato, o nosso verde fez o céu emocionar
E o branco então floriu meu chão
Atento a um feroz olhar
Luar que me traz a lembrança
Nossa Senhora é fé, esperança
De um pantaneiro a lutar
Reizinho de tantas vitórias
Cantando eu declamo esse amor por você
Eu sou Império
Abra o meu livro pois tu sabes ler
A minha história já fala por mim
Sou resistência, orgulho sem fim
Tem poesia no ar, você já sabe quem sou
Pelo toque do agogô
terça-feira, janeiro 30, 2018
Literatura na Varanda
A 8ª edição do projeto LITERATURA NA VARANDA traz o poeta FÁBIO PESSANHA para conduzir uma roda de conversa sobre as obras dos poetas PAULO LEMINSKI E MANOEL DE BARROS.DATA: 17/02/2018 - SÁBADO
HORÁRIO: A PARTIR DAS 16 HORAS
ENTRADA: CONTRIBUIÇÃO CONSCIENTE LIVRE (cada um precifica o evento como desejar)
quinta-feira, janeiro 25, 2018
Literatura na Varanda
Na 8ª edição do Literatura na Varanda tem Leminski e Manoel de Barros.
"É pra isso que poesia existe. Pra dizer o que não se diz." (Paulo Leminski)
Leiam o ensaio do Professor Fábio Pessanha intitulado "Ao repentino abraço do improvável: o poético a partir de Paulo Leminski, Sigmund Freud e Manoel de Barros", na Revista Virtual de Letras - RevLet.
"Nesse texto, quis fazer uma peraltagem ao juntar Freud, Leminski e Manoel de Barros. Daí, a conversa gerou em torno de religião, (in-)utilidade (pra que serve a arte?), humano, sagrado, poesia, (claro!!!) dentre outras questões"
(Fábio Pessanha)
http://www.revlet.com.br/artigos/329.pdf
"É pra isso que poesia existe. Pra dizer o que não se diz." (Paulo Leminski)
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| 2000 Academy Award for Animated |
Leiam o ensaio do Professor Fábio Pessanha intitulado "Ao repentino abraço do improvável: o poético a partir de Paulo Leminski, Sigmund Freud e Manoel de Barros", na Revista Virtual de Letras - RevLet.
"Nesse texto, quis fazer uma peraltagem ao juntar Freud, Leminski e Manoel de Barros. Daí, a conversa gerou em torno de religião, (in-)utilidade (pra que serve a arte?), humano, sagrado, poesia, (claro!!!) dentre outras questões"
(Fábio Pessanha)
http://www.revlet.com.br/artigos/329.pdf
terça-feira, janeiro 16, 2018
II Festival de Cenas Curtas
Dia 18/01, no Teatro Ziembinski, vai acontecer o II Festival de Cenas Curtas, com a participação do Araquãnis, levando sua leitura do nosso poeta das coisas absurdas com "Vem pular no rio! Um descomeço..."!
Araquãnis
https://www.facebook.com/araquanis/
Araquãnis
https://www.facebook.com/araquanis/
domingo, dezembro 24, 2017
Poema de Natal
Meu avô hoje ganhou de presente um olhar de pássaro
Acho que ele vai usar esse olhar para fazer as suas artes
O mundo para ele anda muito cansado
Ele quer mudar o jeito das coisas do mundo
Por exemplo ele vai dar primavera aos vermes
O homem não vai mais fabricar armas de fogo
Só vai ter mesmo rio, árvores, o sol, bichos, pedras
Ele vai desenhar a sua voz nas pedras
Os grilos vão se abrir no meio da noite com enormes lírios
Todo mundo vai gostar mesmo é de obedecer as falas das crianças
Do que as ordens gramaticais
Os sapos vão andar de bicicleta
Depois vamos assistir ao nascimento de Jesus
Será o Natal
E todos vamos adotar as boas falas do filho de Deus
Amar o próximo como a nós mesmos
Então o mundo será renovado!”
O mundo para ele anda muito cansado
Ele quer mudar o jeito das coisas do mundo
Por exemplo ele vai dar primavera aos vermes
O homem não vai mais fabricar armas de fogo
Só vai ter mesmo rio, árvores, o sol, bichos, pedras
Ele vai desenhar a sua voz nas pedras
Os grilos vão se abrir no meio da noite com enormes lírios
Todo mundo vai gostar mesmo é de obedecer as falas das crianças
Do que as ordens gramaticais
Os sapos vão andar de bicicleta
Depois vamos assistir ao nascimento de Jesus
Será o Natal
E todos vamos adotar as boas falas do filho de Deus
Amar o próximo como a nós mesmos
Então o mundo será renovado!”
quinta-feira, dezembro 14, 2017
Araquãnis
Quem gosta da obra do Manoel de Barros e mora no Rio, Niterói ou proximidades, não pode perder essa moleza, de repente pode assistir à poesia do poeta no teatro, com a interpretação de Tainá Pimenta e Alan Hauer. A dupla está no grupo de pesquisa Araquãnis, que nasceu na Escola de Teatro Martins Penna, que une teatro, poesia e música.
Para acompanhar o grupo Araquãnis:
Facebook
Instagram
Para acompanhar o grupo Araquãnis:
segunda-feira, outubro 23, 2017
segunda-feira, outubro 16, 2017
Aprendimentos
quinta-feira, outubro 12, 2017
"Andanças no ritmo palavral de Manoel de Barros"
No dia 17/10 (terça) às 10h30 - Auditório G - Debatedora Luciana de Leone - acontecerá o XIV Simpósio do Programa de Pós-Graduação em ciências da Literaturada UFRJ. Quem vai se perder no ritmo a poética de Manoel de Barros será o doutorando Fábio Pessanha.
Resumindo pelo próprio Fábio Pessanha:
O que se chama ritmo? um andamento, uma cavalgadura palavral, uma constância no frenesi por se dizer um poema dentro de um universo próprio, em que métricas ou absurdos se comprazem? Numa investigação em que a credibilidade do impossível seja aventada para futuros questionamentos acerca do sentido rítmico, o trabalho aqui proposto sugere uma leitura desse assunto a partir da poética de Manoel de Barros.
quinta-feira, setembro 21, 2017
Dia da árvore
quarta-feira, setembro 20, 2017
Um pouco sobre a polêmica estátua
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| Foto: Álvaro Herculano |
A estátua de Manoel de Barros sentado no sofá, pesando 400kg e
medindo 1,38m de altura, custou R$ 232 mil aos cofres públicos e foi
concebida para ser instalada na Avenida Afonso Pena. Área central de
Campo Grande, cidade onde o poeta viveu e morreu.
O
futuro da estátua do poeta Manoel de Barros tomou outro desfecho quando
a Secretaria de Cultura e Cidadania do estado, “detentora” da estátua, a
cedeu ao município para executar a instalação. A Secretaria Municipal
de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur) deu parecer favorável para
a instalação na área pretendida pelo governo do estado, mas o Instituto
Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS) se manifestou
contrário, porque no local existe um sítio arqueológico militar.
O Ministério Público Estadual (MP-MS) entrou então, em 1º de setembro,
com uma ação para impedir a instalação da estátua. Alegou que a área
pretendida é tombada pelo patrimônio histórico e cultural da cidade e,
para qualquer intervenção no canteiro da avenida, seria necessária a
aprovação da Sectur e também do IHGMS.
(...)
Leia mais aqui.
Em meio a polêmica e indefinição de um local para instalação da estátua de bronze do poeta Manoel de Barros, o Ministério Público Estadual fez a sugestão de três espaços para fixação da obra: no canteiro central dos altos da Avenida Afonso Pena, no canteiro da Avenida do Poeta, no Parque dos Poderes, ou ainda ao lado do futuro “Aquário do Pantanal”, em Campo Grande.
Leia mais aqui.
Em meio a polêmica e indefinição de um local para instalação da estátua de bronze do poeta Manoel de Barros, o Ministério Público Estadual fez a sugestão de três espaços para fixação da obra: no canteiro central dos altos da Avenida Afonso Pena, no canteiro da Avenida do Poeta, no Parque dos Poderes, ou ainda ao lado do futuro “Aquário do Pantanal”, em Campo Grande.
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terça-feira, setembro 12, 2017
RODA DE LEITURA — “POETA: UM LUGAR DE DESVIOS”

A partir de poemas de Manoel de Barros, pretende-se pensar, indagar, inventar o que é isso que se chama poeta. Será um quem, um alguém? Quem sabe, se o poeta for um lugar? Um destino? Uma viagem ou viragem?
Com essas dúvidas, com muitos precipícios, o convite é para quedas. Quem vem junto?
Dia 19 de setembro (terça), das 16h às 18h
Local: ESPAÇO MULTI
Av. Ernani do Amaral Peixoto, 96, Sala 403. Centro - Niterói/RJ
Inscrições e dúvidas:
paiolcultural@gmail.com ou pelo telefone/whatsApp (21) 98196-2015
Obs.: Após a inscrição o participante receberá um email contendo o material para a roda.
Evento gratuito
Um pouco sobre o mediador: Fábio Pessanha é poeta, doutorando em Teoria Literária e mestre em Poética, ambos pela UFRJ. Publicou ensaios em periódicos sobre sua pesquisa atual, a respeito do sentido poético das palavras, partindo das obras de Manoel de Barros e Paulo Leminski. É membro do NIEP – Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Poética, também na UFRJ. Coordenou e ministrou cursos no projeto de extensão “Poéticas - Projeto de Capacitação de Professores e Formação de Leitores Literários”, pela UNIRIO, realizado durante o ano de 2016 na Biblioteca Parque de Niterói. É autor do livro A hermenêutica do mar – Um estudo sobre a poética de Virgílio de Lemos e coorganizador do livro Poética e Diálogo: Caminhos de Pensamento, além de participar como ensaísta em outros livros.
quarta-feira, agosto 02, 2017
Sabiá com trevas
SABIÁ COM TREVAS
VI
Há quem receite a palavra ao ponto de osso,
de oco; ao ponto de ninguém e de nuvem.
Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na
sarjeta.
Sou mais a palavra ao ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro,
envergá-las pro chão, corrompê-las -
Até que padeçam de mim e me sujem de branco.
Sonho exercer com elas o ofício de criado:
usá-las como quem usa brincos.
Do livro: "Arranjos para Assobio".
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