sábado, fevereiro 02, 2008

Uma didática da invenção


No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá, Onde a criança diz:
eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
Funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta,
que é a voz
De fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

Imagem: Rui Fajardo

Um comentário:

Branco Di Fátima disse...

Adorei esse blog... Manoel de Barros merece todos os nossos sorrisos. Maravilho não defini esse poeta. Quem sabe beijo maturado em pequizeiro. Linda... depois, entra no meu blog de poesia também:

www.brancodifatima.blogspot.com

abraços