“O Tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce, envelhece e morre.
Pra não morrer
É só amarrar o Tempo no Poste.
Eis a ciência da poesia:
Amarrar o Tempo no Poste!”
[Manoel de Barros, em entrevista a Bosco Martins, 2007]
Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu em 13 de novembro de 2014. Foi advogado, fazendeiro e poeta. O nome do blog é em homenagem ao primeiro livro publicado pelo poeta, em 1937.
terça-feira, outubro 13, 2015
sexta-feira, outubro 09, 2015
Peça teatral "O delírio do verbo"
Estreou em outubro no Rio de Janeiro, no Teatro Cândido Mendes, e fica em cartaz até dezembro.
Link no youtube com trechos da peça: https://www.youtube.com/watch?t=48&v=6evkyDUqEsI
Há uma página no facebook para acompanhar o trabalho do ator Jonas Bloch com a peça, baseada na obra de Manoel de Barros:
https://www.facebook.com/odeliriodoverbo
Link no youtube com trechos da peça: https://www.youtube.com/watch?t=48&v=6evkyDUqEsI
Há uma página no facebook para acompanhar o trabalho do ator Jonas Bloch com a peça, baseada na obra de Manoel de Barros:
https://www.facebook.com/odeliriodoverbo
quarta-feira, outubro 07, 2015
Dia da Criança - Manoel por Manoel
Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.
(Manoel de Barros - Memórias inventadas)
domingo, setembro 27, 2015
sexta-feira, setembro 04, 2015
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| Ilha de Paquetá - foto tirada por mim em julho de 2015 |
"Águas são fêmeas de chão.
Ambas, água e chão
Merecem o gosto
De se entrarem."
[Manoel de Barros]
"Manoel de Barros: O Demiurgo das Terras Encharcadas - Educação pela vivência do chão", Maria Cristina de Aguiar Campos, Faculdade de Educação da USP. Página 223.
"Manoel de Barros: O Demiurgo das Terras Encharcadas - Educação pela vivência do chão", Maria Cristina de Aguiar Campos, Faculdade de Educação da USP. Página 223.
quinta-feira, novembro 13, 2014
quarta-feira, novembro 12, 2014
Poeta Manoel de Barros tem piora no quadro clínico
O poeta Manoel de Barros, de 97 anos, segue internado em leito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Proncor de Campo Grande e apresentou piora dos parâmetros clínicos, conforme boletim médico divulgado na manhã desta quarta-feira (12).
Leia mais aqui.
sexta-feira, outubro 17, 2014
Dia da Criança
domingo, outubro 12, 2014
Dia da Criança
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| Eu com 7 anos |
que gostasse de ver folha cair de tarde...
Que só pensasse coisas leves que nem existem na terra,
E ficasse assustada quando ao cair da noite
Um homem lhe dissesse palavras misteriosas ...
O ideal seria uma criança sem dono,
que aparecesse como nuvem,
Que não tivesse destino nem nome -
senão que um sorriso triste
E que nesse sorriso estivessem encerrados
Toda a timidez e todo o espanto
das crianças que não têm rumo...
Manoel de Barros
terça-feira, setembro 30, 2014
ArvoreSer
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| Foto tirada por mim. |
ArvoreSer, evento no Museu da República em 28/09/2014, do Instituto de Arte Tear.
domingo, setembro 21, 2014
Dia da Árvore, A Manoel de Barros
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| Foto tirada por mim na rua do Catete, set 2014 |
Sabedoria vegetal
"Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal."
[Manoel de Barros]
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal."
[Manoel de Barros]
Da árvore, admiro as raízes fincadas na terra fértil.
Quero ser forte como o caule
que suporta adversidades.
Venero os galhos que acolhem ninhos.
Invejo a sombra confortável
e os frutos que guardam a semente.
Quando chega o outono,
saúdo as folhas que enfeitam o chão,
húmus vegetal,
começo de árvore em outra estação.
Solange Firmino.
terça-feira, setembro 16, 2014
sexta-feira, julho 04, 2014
domingo, abril 27, 2014
Rios
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| Araras - foto tirada por mim |
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| Araras - foto tirada por mim |
domingo, fevereiro 23, 2014
"Um cheiro de malva na manhã"
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| Graúna - Paraty, foto tirada por mim em janeiro de 2014. |
Passa um galho de pau movido a borboletas:
Com elas celebro meu órgão de ver.
Inclino a fala para uma oração.
Tem um cheiro de malva esta manhã.
Hão de nascer tomilhos em meus sinos.
(Existe um tom de mim no anteceder?)
Não tenho mecanismos para santo.
palavra que eu uso me inclui nela.
este horizonte usa um tom de paz.
Aqui a aranha não denigre o orvalho.
Com elas celebro meu órgão de ver.
Inclino a fala para uma oração.
Tem um cheiro de malva esta manhã.
Hão de nascer tomilhos em meus sinos.
(Existe um tom de mim no anteceder?)
Não tenho mecanismos para santo.
palavra que eu uso me inclui nela.
este horizonte usa um tom de paz.
Aqui a aranha não denigre o orvalho.
sábado, fevereiro 22, 2014
sexta-feira, janeiro 24, 2014
sexta-feira, setembro 13, 2013
Sabiá com Trevas
IV
(a um Pierrô de Picasso)
Pierrô é desfigura errante,
andarejo de arrebol.
Vivendo do que desiste,
se expressa melhor em inseto.
Pierrô tem um rosto de água
que se aclara com a máscara.
Sua descor aparece
como um rosto de vidro na água.
Pierrô tem sua vareja íntima:
é viciado em raiz de parede.
Sua postura tem anos
de amorfo e deserto
Pierrô tem o seu lado esquerdo
atrelado aos escombros.
E o outro lado aos escombros.
.................
Solidão tem um rosto de antro.
Publicado no livro Arranjos para Assobio (1982)
IV
(a um Pierrô de Picasso)
Pierrô é desfigura errante,
andarejo de arrebol.
Vivendo do que desiste,
se expressa melhor em inseto.
Pierrô tem um rosto de água
que se aclara com a máscara.
Sua descor aparece
como um rosto de vidro na água.
Pierrô tem sua vareja íntima:
é viciado em raiz de parede.
Sua postura tem anos
de amorfo e deserto
Pierrô tem o seu lado esquerdo
atrelado aos escombros.
E o outro lado aos escombros.
.................
Solidão tem um rosto de antro.
Publicado no livro Arranjos para Assobio (1982)
sexta-feira, maio 17, 2013
quarta-feira, dezembro 19, 2012
96 anos do poeta
Ao completar 96 anos, Manoel de Barros prefere um aniversário sem convidados
Leia a reportagem neste link.
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