Casebres em ruínas
muros
escalavrados…
E a lesma — na sua liberdade de ir nua
úmida!
Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu em 13 de novembro de 2014. Foi advogado, fazendeiro e poeta. O nome do blog é em homenagem ao primeiro livro publicado pelo poeta, em 1937.
Coração preto gravado no muro amarelo.
A chuva fina pingando… pingando das árvores…
Um regador de bruços no canteiro.
Barquinhos de papel na água suja das sarjetas…
Baú de folha de flandres da avó no quarto de dormir.
Réstias de luz no capote preto do pai.
Maçã verde no prato.
Um peixe de azebre morrendo… morrendo, em
dezembro.
E a tarde exibindo os seus
Girassóis aos bois.
Em Poesias (1956).
* Os dias 21 e 22 de março marcam a sensibilização acerca dos recursos naturais. Nessas datas, criadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), são celebradas o Dia Internacional das Florestas e da Árvore (21) e o Dia Mundial da Água (22).
* A foto do ipê-rosa é de 2022. A árvore coberta com flores que eu tinha para postar mais bonita era esta, em homenagem à primavera no Hemisfério Norte, já que no Brasil começamos o outono dia 20/03/2023.
O leve e macio
raio de sol
se põe no rio.
Faz arrebol…
Da árvore evola
amarelo, do alto
bem-te-vi-cartola
e, de um salto
pousa envergado
no bebedouro
a banhar seu louro
pelo enramado…
De arrepio, na cerca
já se abriu, e seca.
XLV
* O vídeo de Bernardo foi baseado no poema de Manoel de Barros e organizado por "Crianceiras". Vejam no YouTube.
Eu combino melhor com árvores. Totalmente ao senhor eu falo: quem ouve a fonte dos tontos não cabe mais dentro dele. Outra pessoa desabre.
Imagem: Árvore no muro do bairro da editora do blog, Solange Firmino, Rio de Janeiro - eu, que AMO árvores.
"De onde vem seu interesse particular pelos pássaros?"
Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.
(...)
Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros de infância. Vou meio dementado e enxada às costas a cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos.
(...)