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terça-feira, abril 18, 2023

Dia nacional do livro infantil - Infância


Coração preto gravado no muro amarelo.

A chuva fina pingando… pingando das árvores…

Um regador de bruços no canteiro.


Barquinhos de papel na água suja das sarjetas…

Baú de folha de flandres da avó no quarto de dormir.

Réstias de luz no capote preto do pai.

Maçã verde no prato.


Um peixe de azebre morrendo… morrendo, em

dezembro.

E a tarde exibindo os seus

Girassóis aos bois.


Em Poesias (1956).

sexta-feira, agosto 06, 2021

A voz do meu pai

 



Abro os olhos.

Não vejo mais meu pai.
Não ouço mais a voz de meu pai.
Estou só. Estou simples.
Não como essa poderosa voz da terra
com que me estás chamando, pai —
porque as cores se misturam
em teu filho ainda
e a nudez e o despojamento
não se fizeram em seu canto;
mas, simples por só acreditar
que com meus passos incertos
eu governo a manhã
feito os bandos de andorinha
nas frondes do ingazeiro.