"Flores engordadas nos detritos até falam!"
(Em Livro de pré-coisas, Poesia completa, Editora Leya, página 221)
* Rosa do meu jardim.
Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu em 13 de novembro de 2014. Foi advogado, fazendeiro e poeta. O nome do blog é em homenagem ao primeiro livro publicado pelo poeta, em 1937.
(Em Livro de pré-coisas, Poesia completa, Editora Leya, página 221)
* Rosa do meu jardim.
Já havia posto esse ano a Maria Bethânia recitando esse poema. O poema também está na postagem. Mas o vídeo do Odilon Esteves está legendado. Achei interessante outra leitura. Aliás, existem várias...
Manoel de Barros – Inspiração eu só conheço de nome. O que eu tenho é excitação pela palavra. Se uma palavra me excita eu busco nos dicionários a existência ancestral dela. Nessa busca descubro motivos para o poema.
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a Nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski – seu criador.
Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.
(em Poemas Rupestres)
"Na verdade na verdade
os passarinhos que botavam primavera nas palavras"."Manual de Barro" faz apresentação do livro "Concerto a céu aberto para solos de aves" para Manoel de Barros.
E o poeta aprova: "banho de infância em mim" é o que diz ao final da apresentação.
A cantora Maria Bethânia lê o poema Ruína, do poeta Manoel de Barros.
Postagem no YouTube de Junior Zenith.