terça-feira, dezembro 18, 2012

Palavras


Palavra dentro da qual estou há milhões
de anos é árvore.
Pedra também.
Eu tenho precedências para pedra.
Pássaro também.
Não posso ver nenhuma dessas palavras que
não leve um susto.
Andarilho também.
Não posso ver a palavra andarilho que
eu não tenha vontade de dormir debaixo
de uma árvore.
Que eu não tenha vontade de olhar com
espanto, de novo, aquele homem do saco
a passar como um rei de andrajos nos
arruados de minha aldeia.
E tem mais: as andorinhas,
pelo que sei, consideram os andarilhos
Como árvore.


Em: O fazedor de amanhecer

3 comentários:

rosebr disse...

... maravilhoso! ♥

Luiz Alfredo disse...

Mui belo
eu considero andorinhas
como verão
e Manuel de Barros
uma floresta de poemas
que tocam meu coração
de pedra

Luiz Alfredo - poeta

Jânio Lima disse...

Blog lindo pq a poesia de Manoel de Barros é uma verdadeira beleza em engenharia palavresca. Abraços!