Sábado, Fevereiro 11, 2006

O PÊSSEGO


Proust

só de ouvir a voz de Albertine
entrava em orgasmo. Se diz que
o olhar do voyeur tem condições
de phalo. (Possui o que vê)
Mas é no tato
Que a fonte do amor se abre.
Apalpar desabrocha o talo.
O tato é mais que o ver
É mais que o ouvir
É mais que o cheirar.
É pelo beijo que o amor se edifica.
É no calor da boca
Que o alarme da carne grita
E se abre docemente
Como um pêssego de Deus.

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